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Dicas ACEA - Aposte em sua VITRINA
Carregue no bom gosto para exibir o coração do negócio
Tudo vale para montar uma bela vitrina e seduzir o consumidor que passa pela calçada. Mas, convenhamos, bom gosto é fundamental. É preciso criar e transmitir sempre a sensação de movimento num palco iluminado.

O vidro transparente da vitrina protege o que de melhor tem numa loja. Um chamariz, um convite para quem passa na rua. Uma ponte entre a calçada e o caixa. A vitrina tem de estar perfeita, os consumidores devem se sentir atraídos. Fica o desafio: como montar uma bela vitrine?
Os especialistas são unânimes: menos é mais. O docente do curso técnico em vitrinismo do Senac São Paulo, José Alves de Oliveira Filho, diz que são vários os motivos que levam um passante a olhar uma vitrina: “Cores, luz, movimento, formas, volumes. É necessário que a vitrina disponha de suportes, expositores e elementos de diferentes tamanhos. As linhas e formas dos objetos – displays, por exemplo - de acordo com sua direção e posicionamento também podem criar a sensação de movimento”.

Para Filho, a boa vitrina é feita com técnica, troca de informações, com um diagnóstico das necessidades e flexibilidade de ambas as partes – vitrinista e lojista - levando-se em consideração a disponibilidade de verba e tempo para desenvolvimento do trabalho. Conhecer bem o público-alvo é uma das prioridades. “O público que você quer atingir pode ser definido através da idade, sexo, tribo, poder aquisitivo, entre outros detalhes do consumidor. Portanto, para que a vitrina leve à venda, a mensagem deve ser direcionada”.

Quanto à concepção de uma vitrina em um bairro popular e um bairro de luxo, diz o vitrinista, os conceitos, valores agregados ao produto, a questão sócio cultural, o investimento para execução da vitrina e os próprios recursos físicos do espaço fazem com que existam propostas diferenciadas: “Uma bela vitrina é aquela que seduz o consumidor pela sua composição, além do que se oferece visualmente - cor, coordenação dos produtos, limpeza, comunicação, organização dos itens, variedade ou ainda através da coerência dos elementos usados em sua linguagem plástica, que é a decoração”.

“O vitrinista pode usar todos os materiais na produção, desde os recicláveis até os mais sofisticados. O bom profissional saberá adequar corretamente dentro da proposta da vitrina, englobando tema, tendência, inspiração - desde sacos plásticos até objetos de arte e peças de antiquários”.

Um vitrinista vive num desafio constante, pois é preciso estar sempre antenado para criar trabalhos diferentes: “O profissional deve pesquisar sempre, ter bastante informação. As fontes são várias: revistas, sites especializados, blogs, viagens, o próprio consumidor, além dos cadernos de tendências”.

Para o lojista que gosta de se aventurar e criar a própria vitrina, o especialista dá um recado: “O principal erro é acreditar que encher a vitrina de mercadorias o fará vender mais. A quantidade e a variedade de produtos vendem, mas quando não organizada corretamente com os devidos recursos expositivos e técnicas de composição fazem com que a vitrina torne-se a extensão do estoque. Porém, dependendo do tipo de vitrina, e das habilidades manuais e conhecimento técnico do empresário, isso é possível – ele tem a própria experiência do dia-a-dia”. Para ele, o conceito básico de uma boa vitrina é a simplicidade: “A vitrina que atrai o comprador é aquela em que existe organização e na qual conseguimos perceber o que a loja oferece – vai além de um amontoado de produtos. Os consumidores querem mais do que mercadoria e preços baixos: comprar está relacionado ao prazer”.



Andrei Bonamin/LUZ
Leandro Wahler: “O cliente é preguiçoso. Se ele vê a roupa no cabide, nem presta atenção. Mas, no manequim, pronta, resolve comprar”.Na Estilo K, loja de moda feminina, no Bom Retiro, a vitrina é trocada toda a semana. De acordo com a gerente Lidiane Domingos, a loja foi alugada em agosto deste ano e totalmente reformada: “A vitrina é o que chama mais a atenção. Foram colocados vários espelhos nela. Toda semana o especialista em visual merchandising refaz a demonstração de produtos na vitrina. A primavera exige um colorido de bom gosto. Às quintas-feiras, quando a vitrina é remontada, as vendas crescem 10%. As pessoas que passam não resistem a uma novidade. Os modelos mostram todos os acessórios, ficam completos: têm até pulseiras e cintos que compõem o visual”.

O responsável pela vitrina da Estilo K, o especialista em visual merchandising Leandro Wahler, mistura vestidos longos com estampas, calças jeans e blusas na apresentação: “Eu escolho as peças-chave da coleção, que seguem um mesmo estilo – uma roupa com jeito despojado, com uma ‘certinha’ não dá. E priorizo também uma mercadoria que não vendeu bem na semana anterior. E faço um arranjo no manequim, para dar uma idéia ao consumidor. É preciso mostrar ambas as peças, para que elas se complementem. O cliente é preguiçoso. Se ele vê a roupa no cabide, nem presta atenção. Mas, no manequim, com o conjunto pronto, resolve comprar, porque tem a informação que precisava. O cliente quer respostas rápidas, não tem tempo para acompanhar desfiles ou ver todas as revistas de moda”.

Wahler diz que a vitrine precisa se mostrar dinâmica, mas não é necessário nada mirabolante: “Alguns banners coloridos ficam bem. Mas o produto vem em primeiro lugar; a ambientação da vitrina, em segundo. Para a estação quente, encomendei um banner de cor rosa pink, e uma base para o chão de madeira”.

Para o vitrinista Kleber Alves de Assis, toda vitrina é um desafio: “Já preparei vitrina até para uma loja de costura, especializada em fazer barras de calças. Escolhi uma máquina de costura antiga para estrelar a vitrina. Logo atrás dela, coloquei um banner enorme, que exibia a agulha, também de uma máquina. Quem quer coisas diferentes, precisa pensar”.

Outro momento que Assis se lembra, da carreira, foi quando instalou um painel enorme numa vitrina. A imagem mostrava vários fotógrafos disparando o flash: “O resultado foi que, quem passava, se sentia um astro, perseguido pelas câmeras”.
Para a primavera, Assis sugere que se mostrem praia, flores, borboletas, para que os consumidores comecem

se sentir no clima: “O importante é não forçar muito, para que o produto não suma”.

História
“A vitrina nasce de planejamento e criação, feitos para o cliente. O trabalho pode ser baseado na linha de criação dos produtos. Se uma grife lança itens fabricados com base nas Ilhas Gregas, por exemplo, a vitrina tem de seguir esse conceito, de identidade do cliente”, detalha a sócia diretora da NT Vitrina e especialista em design de interiores Silmara Carreiro.

Segundo ela, não é difícil ver, por exemplo, vitrinas sujas ou desorganizadas, que afugenta o comprador. E também percebe que alguns lojistas deixam os itens no chão da vitrina: “O primeiro erro é abarrotar a vitrina de produtos. Além disso, é preciso usar suportes para colocar a mercadoria, para que ela seja destacada. Existem cubos, displays próprios para isso. Nem calçado pode ser exibido sem um suporte na vitrina”. Silmara afirma que a iluminação deve estar entre as prioridades: “Já vi lâmpadas faltando numa vitrina, o que dá uma sensação de abandono”.

Ela diz que uma loja de shopping deve refazer a vitrina a cada quinze dias. As de rua devem reformular semanalmente: “Quem mora na região é obrigado a passar pelas lojas toda vez que sai. Por isso, não pode se cansar com o visual”.
Aceaqui / Rafaela Lima / Diário do Comércio
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