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Dicas ACEA - Controle e confiança para reduzir as perdas com furtos

Eliminar o furto é quase impossível, mas dá para reduzir bastante: é preciso contratar especialistas em segurança, manter um rigoroso controle do estoque e treinar a equipe para estabelecer a confiança entre patrão e funcionário.

Um dos maiores problemas que os lojistas enfrentam são os furtos, praticados tanto por funcionários da empresa quanto por consumidores. Impasse que pode ser atenuado com treinamento da equipe e a contratação de consultorias especializadas em segurança, entre outras ações. O controle diário dos itens e a confiança entre patrão e funcionário também são indicados por especialistas no assunto.

Uma pesquisa realizada pelo Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração da Fundação Instituto de Administração (Provar-Fia) mostra que o furto representa hoje 38,1% das perdas do varejo brasileiro. Um dos setores que mais sofre é o de eletroeletrônicos – o índice pode chegar a 57,5%. No atacado, os furtos representam 46% das perdas; no vestuário, 46%; nas drogarias, 42%; nos supermercados, 35%; no setor de material de construção, 34%. O resultado: queda na margem de lucro e, consequentemente, da competitividade.

A coordenadora do núcleo de prevenção de perdas do Provar, Patrícia Vance, diz que o controle da inflação mexeu com os negócios: “A inflação representava ganho para os varejistas. Depois da estabilização da economia, em 1994, com o Plano Real, isso mudou. As empresas têm de buscar a eficiência na operação para manter ou aumentar a margem de lucro e enfrentar os concorrentes”.

Quebra operacional
“Nos pontos de venda, a quebra operacional acontece até com as degustações de alimentos não autorizadas. Ou seja, aquele iogurte que os clientes consomem, inocentemente, durante as compras, vai para o prejuízo do comerciante”, afirma Patrícia.

Ela lembra também as peças de roupas que as pessoas experimentam, no provador, e que acabam danificadas, também representam perda para o varejista: “Uma peça de número menor pode ter o zíper quebrado, isso é muito comum – e acaba na contabilidade do empresário. O jeito é aumentar o preço para não ter redução na margem de lucro”.

Patrícia dá outro exemplo de furto: “Tem gente que finge estar de olho numa impressora só para furtar o cartucho dela”. Segundo a coordenadora, os roubos e furtos representam 2,05% do faturamento líquido do varejo: “Se levarmos em conta que a margem líquida de um supermercado é de aproximadamente 2%, será possível mensurar o tamanho do prejuízo”.

O primeiro passo para começar a inibir esses procedimentos é o comerciante fazer um inventário da mercadoria para apurar o quanto perdeu. “O sistema de informação permite saber o quanto se está perdendo. Os processos revelam os pontos de risco. O investimento em tecnologia é importante, mas é preciso analisar onde os equipamentos devem ser colocados para não haver desperdício de investimento”.

Outra iniciativa importante citada por Patrícia é envolver todos os funcionários na empreitada – desde a alta direção até o pessoal da limpeza: “A conscientização é prioridade. A equipe deve saber que, se a margem de lucro for mantida, com a prevenção das perdas, ela também ganhará. A empresa deve atuar na mesma direção. Uma solução é atrelar a remuneração variável às vendas e perdas. Todos terão vantagem com isso – é a visão mais completa de equipe”, detalha a coordenadora do levantamento.

Crônico
Para o coordenador do núcleo de Estudos do Varejo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), professor Ricardo Pastore, o problema de furtos e roubos no comércio é crônico: “Ele acontece todos os dias e vai continuar. O varejista lida com isso no dia-a-dia e busca incorporar a perda no âmbito da gestão. Porém, isso ainda não ocorre com frequência, infelizmente. A ferramenta que reduz a prática é a ação preventiva. O controle dos produtos tem de ser feito diariamente, com rigor no estoque da loja. A equipe deve fazer uma contagem física diária, por classificação dos itens. Desta forma o estrago poderá ser reduzido. O sistema, porém, não serve para identificar o furto, apenas garante o controle da informação – os dados físicos e contábeis são comparados e a diferença constatada”.

O controle permite que o varejista saiba qual a mercadoria mais visada: “Alguns deles são aparelho de barbear, tinta para cabelo, pilhas, bloqueador solar, CD, cigarros e bebidas. Esses itens fazem parte do grupo Produtos de Alto Risco, ou PAR. Para eles deve haver uma listagem própria. A contagem tem de ser feita todos os dias. O recebimento da mercadoria também é diferente: as caixas devem ir para uma sala fechada e o processo pode ser feito lá”.

O uso da tecnologia também é bastante indicado, de acordo com o professor: “Mas apenas isso não dá conta do problema. O comerciante precisa da parceria da equipe de trabalho, da força do fator humano, de confiança”.

A tecnologia foi a saída encontrada pelo proprietário da Semaan Brinquedos, na região da rua 25 de Março, Marcelo Mouawab. Ele comprou dezesseis câmeras, que mostram tudo o que acontece nas duas unidades. São trezentos metros quadrados monitorados, do espaço das lojas ao estoque - até uma parte da calçada é vigiada: “O custo inicial foi de aproximadamente R$ 9 mil, há dois anos. Valeu a pena. O bairro é complicado. Antes de instalar as câmeras, algumas pessoas entraram no meu escritório e levaram meu laptop. Tem cliente que pede para usar o banheiro – incluindo grávidas ou mulheres com crianças - com a intenção de roubar. Os furtos representavam 0,3% do faturamento. O índice agora está próximo de zero”.

Com relação à equipe, o empresário diz que está sossegado: “O segredo é ter uma boa relação com o funcionário. Ele sempre conhece bem o sistema e sabe como pode burlar e furtar. Mas se não houver confiança entre pessoas que trabalham juntas, não é possível ter uma rotina saudável. Eu aposto nisso e não me arrependo”.

Aceaqui / Rafaela Lima
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